Emoções3 min de leituraAtualizado em 23/09/2026

Histórias sociais no autismo: o que são, o que a pesquisa mostra e como escrever a sua

Histórias sociais ajudam a criança autista a entender situações do dia a dia antes que elas aconteçam. Conheça o que dizem as revisões científicas, inclusive seus limites, e aprenda um modelo simples para escrever a sua.

Equipe Materiais Didáticos TEA
Para professores da educação infantil e do fundamental

Um passeio da escola, a chegada de um professor novo, a primeira vez no refeitório. Situações que parecem simples para a maioria das crianças podem ser muito difíceis para uma criança autista, principalmente quando ela não sabe o que vai acontecer nem o que se espera dela.

As histórias sociais foram criadas justamente para antecipar esses momentos. Neste artigo, você vai entender o que são, o que as pesquisas mostram de forma honesta, com resultados positivos e limitações, e como escrever uma história social em poucos passos.

O que é uma história social

Uma história social é um texto curto, geralmente com imagens, que descreve uma situação do dia a dia do ponto de vista da criança: onde vai acontecer, quem estará lá, o que costuma acontecer e o que ela pode fazer.

Na literatura científica, elas fazem parte das chamadas narrativas sociais. O resumo do AFIRM, da Universidade da Carolina do Norte, define essas intervenções como aquelas que descrevem situações sociais para destacar os aspectos importantes e as respostas esperadas.

O que a pesquisa mostra, com transparência

As narrativas sociais estão entre as 28 práticas baseadas em evidências identificadas pelo NCAEP. Segundo o AFIRM, elas foram sustentadas por 20 estudos de caso único e 1 estudo de grupo, com crianças e jovens de 3 a 18 anos.

Ao mesmo tempo, as revisões mostram que os resultados variam. Uma revisão sistemática de Qi e colegas, de 2018, analisou 22 estudos de caso único e encontrou bons resultados para reduzir comportamentos inadequados, mas resultados mistos para ensinar habilidades novas. Os autores observam que as histórias podem funcionar melhor para algumas crianças do que para outras.

Um estudo de 2022, de Camilleri, Maras e Brosnan, mapeou 17 revisões já publicadas sobre o tema e mostrou que as conclusões mudam conforme o método usado para avaliar os estudos. Na prática, isso significa que a história social é uma ferramenta útil, mas funciona melhor quando combinada com outros apoios, como a rotina visual.

Como escrever uma história social em 5 passos

1. Escolha uma situação específica. Por exemplo: a hora do lanche, a ida ao refeitório ou uma visita ao museu.

2. Escreva do ponto de vista da criança. Use frases curtas na primeira pessoa: na hora do lanche, eu lavo as mãos.

3. Descreva mais do que ordena. Explique o que acontece e por quê, e deixe poucas frases indicando o que a criança pode fazer.

4. Use uma imagem por página. Fotos reais da escola ou desenhos simples ajudam a criança a reconhecer a situação.

5. Leia antes do momento acontecer. Leia junto com a criança nos dias anteriores e logo antes da situação, com calma.

Dica da sala de aula: Evite frases negativas como não posso gritar. Prefira descrever a alternativa: quando o barulho incomoda, eu posso usar o abafador ou pedir para sair um pouco.

Material pronto para imprimir: A História social: hora do lanche já vem escrita e ilustrada, pronta para imprimir e ler com a criança. Conheça: História social: hora do lanche

Conclusão

As histórias sociais são uma ferramenta útil, principalmente para preparar a criança para situações novas, mas não são uma solução única. Use-as junto com outros apoios visuais, observe a resposta de cada aluno e ajuste o texto sempre que necessário.

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Perguntas frequentes

História social funciona para qualquer criança autista?

As revisões mostram que os resultados variam entre crianças. Observe a resposta do seu aluno e combine a história com outros apoios visuais.

Quantas vezes preciso ler a história?

Não há um número fixo. O mais comum é ler nos dias que antecedem a situação e novamente pouco antes de ela acontecer.

Referências

  1. Sam, A., & AFIRM Team (2025). Social Narratives: Brief Packet. FPG Child Development Institute, University of North Carolina. https://afirm.fpg.unc.edu/wp-content/uploads/Social-Narratives-Brief-Packet-Sam-AFIRM-Team-Updated-2025.pdf
  2. Qi, C. H., Barton, E. E. et al. (2018). A Systematic Review of Effects of Social Stories Interventions for Individuals With Autism Spectrum Disorder. Focus on Autism and Other Developmental Disabilities, 33(1), 25-34. Resumo no ASHA Evidence Maps. https://apps.asha.org/EvidenceMaps/Articles/ArticleSummary/4f7db229-e4a7-4ec4-8efd-58f2c97744fe
  3. Camilleri, L. J., Maras, K., & Brosnan, M. (2022). Autism Spectrum Disorder and Social Story Research: a Scoping Study of Published, Peer-Reviewed Literature Reviews. Review Journal of Autism and Developmental Disorders, 9, 21-38. https://doi.org/10.1007/s40489-020-00235-6

Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a avaliação e o acompanhamento de profissionais de saúde e de educação.

Sobre quem escreve

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