Números podem ser um ponto forte para algumas crianças autistas e um grande desafio para outras. Em ambos os casos, a forma como a atividade é apresentada faz diferença: instruções claras, materiais concretos e uma organização previsível costumam ajudar muito.
Neste artigo, você vai ver o que duas revisões científicas encontraram sobre ensino de matemática e ensino estruturado no autismo, e como aplicar essas ideias em atividades de números e quantidades na sua sala.
O que a pesquisa mostra sobre ensino de matemática
Uma síntese de King, Lemons e Davidson, publicada em 2016 na revista Exceptional Children, reuniu apenas estudos que atendiam aos padrões de qualidade do What Works Clearinghouse, órgão do Departamento de Educação dos Estados Unidos. As intervenções funcionaram em 71% dos casos analisados, com efeitos de moderados a grandes.
A maior parte desses estudos ensinou habilidades funcionais e de cálculo. Os autores ressaltam que ainda faltam pesquisas com alunos autistas que não têm deficiência intelectual associada.
Ensino estruturado: o que se sabe sobre o TEACCH
O ensino estruturado, popularizado pelo programa TEACCH, organiza o espaço, o tempo e a atividade de forma visual: a criança sabe onde trabalhar, o que fazer, quanto fazer e quando termina.
Uma meta-análise de Virues-Ortega, Julio e Pastor-Barriuso, publicada em 2013 na Clinical Psychology Review, analisou 13 estudos com 172 pessoas autistas. Os ganhos foram de moderados a grandes em comportamento social e comportamentos desafiadores, e pequenos em habilidades cognitivas e motoras. Os próprios autores consideram as evidências limitadas e pedem mais estudos.
Na prática, a mensagem é equilibrada: a organização visual da tarefa ajuda a criança a trabalhar com mais autonomia e tranquilidade, mas deve vir junto com ensino explícito do conteúdo.
Como montar uma atividade estruturada de números
1. Uma tarefa por vez. Cada folha ou caixa trabalha um objetivo: contar até 5, associar número e quantidade, completar a sequência.
2. Material concreto primeiro. Tampinhas, blocos e fichas de encaixe antes do papel. A criança manipula, depois registra.
3. Começo e fim visíveis. Organize da esquerda para a direita, com uma caixa de terminado ao final.
4. Instrução com modelo. Mostre um exemplo pronto antes de pedir que a criança faça.
5. Aumente a dificuldade aos poucos. Só avance quando a criança fizer a tarefa com segurança.
Dica da sala de aula: Use o mesmo formato de atividade por alguns dias, mudando apenas os números. A criança aprende o formato e pode concentrar a atenção no conteúdo.
Material pronto para imprimir: Os Números de 1 a 10 com encaixe trazem 20 fichas para associar número e quantidade, prontas para imprimir e usar como atividade estruturada. Conheça: Números de 1 a 10 com encaixe
Conclusão
Atividades de matemática claras, concretas e bem organizadas ajudam a criança autista a trabalhar com mais autonomia. Comece pelo material manipulável, mostre um modelo, mantenha o formato previsível e aumente o desafio aos poucos, sempre observando a resposta do aluno.
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Perguntas frequentes
Preciso de uma sala especial para fazer ensino estruturado?
Não. Uma mesa organizada, com a atividade da esquerda para a direita e uma caixa de terminado, já aplica os princípios na sala regular.
E se a criança já domina os números?
Aumente o desafio com operações, problemas com apoio visual e atividades ligadas aos interesses dela.
Referências
- King, S. A., Lemons, C. J., & Davidson, K. A. (2016). Math interventions for students with autism spectrum disorder: A best-evidence synthesis. Exceptional Children, 82(4), 443-462. https://eric.ed.gov/?id=EJ1104769
- Virues-Ortega, J., Julio, F. M., & Pastor-Barriuso, R. (2013). The TEACCH program for children and adults with autism: a meta-analysis of intervention studies. Clinical Psychology Review, 33(8), 940-953. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23988454/
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a avaliação e o acompanhamento de profissionais de saúde e de educação.
