A criança parecia bem e, de repente, explodiu. Para quem está na sala, a cena parece surgir do nada, e muitas vezes é interpretada como birra, provocação ou falta de limites. Mas, no autismo, esse tipo de reação costuma ter outra origem.
Neste artigo, você vai entender o que a pesquisa diz sobre regulação emocional no autismo e como um recurso visual simples, o termômetro das emoções, pode ajudar a criança a perceber o que sente e pedir ajuda antes que a situação saia do controle.
O que é regulação emocional
Regular as emoções é conseguir perceber o que se sente e ajustar a intensidade dessa emoção para lidar com a situação. Envolve notar os sinais do próprio corpo, dar nome ao que está acontecendo e escolher uma estratégia, como respirar, pedir uma pausa ou buscar um adulto.
O que a pesquisa diz sobre emoções e autismo
Um artigo de referência de Mazefsky e colegas, publicado em 2013 no Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry, descreve que reações emocionais intensas e dificuldade de controle emocional são frequentes no autismo.
Os autores destacam um ponto importante para a escola: comportamentos de crise costumam ser interpretados como deliberados ou desafiadores, mas podem ser resultado de dificuldade em lidar com as emoções. Eles também apontam que ensinar a criança a perceber o próprio estado interno e saber quando usar uma estratégia é essencial.
O relatório do NCAEP, que identificou 28 práticas baseadas em evidências para autismo, inclui práticas diretamente ligadas a esse trabalho: autogerenciamento, apoios visuais e estratégias cognitivo comportamentais. O termômetro das emoções combina essas ideias: é um apoio visual que ajuda a criança a monitorar o próprio estado.
Como usar o termômetro das emoções em 3 passos
1. Apresente em um momento calmo. Mostre cada cor e dê exemplos da sua própria rotina: quando estou no verde, estou tranquila; no amarelo, estou ficando incomodada.
2. Deixe sempre à vista. Cole o termômetro na mesa da criança ou na parede, na altura dos olhos, para que ela possa consultar a qualquer momento.
3. Pergunte ao longo do dia. A criança aponta a cor em que está. Nas cores mais quentes, ofereça a estratégia combinada, como uma pausa no cantinho da calma.
Dica da sala de aula: Combine com a criança, antes, qual será a estratégia de cada cor. Quando a emoção estiver alta, ela não vai conseguir pensar em opções, mas vai lembrar do que foi combinado.
O que evitar
- Apresentar o termômetro pela primeira vez durante uma crise.
- Usar o termômetro como punição ou para registrar mau comportamento.
- Mudar as cores ou o formato com frequência.
Material pronto para imprimir: O Termômetro das emoções vem com termômetro colorido de 5 níveis, 10 cartões de emoções e guia de uso em sala. Para trabalhar o tema completo, conheça também o Kit Emoções. Conheça: Termômetro das emoções
Conclusão
Olhar para as crises como dificuldade de regulação, e não como desafio, muda a forma de agir na sala de aula. O termômetro das emoções é uma ferramenta simples que ajuda a criança a perceber o que sente e a pedir ajuda mais cedo. Apresente com calma, use todos os dias e combine as estratégias antes que a emoção fique alta.
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Perguntas frequentes
Existe estudo específico sobre termômetro das emoções?
Não encontramos estudos científicos que avaliem esse recurso isoladamente. Ele se apoia em práticas reconhecidas como apoios visuais e autogerenciamento.
O termômetro substitui o acompanhamento psicológico?
Não. É um recurso de apoio para a sala de aula. Crises frequentes ou intensas devem ser discutidas com a família e com os profissionais que acompanham a criança.
Referências
- Mazefsky, C. A., Herrington, J., Siegel, M., Scarpa, A., Maddox, B. B., Scahill, L., & White, S. W. (2013). The role of emotion regulation in autism spectrum disorder. Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry, 52(7), 679-688. https://doi.org/10.1016/j.jaac.2013.05.006
- Steinbrenner, J. R., Hume, K., Odom, S. L. et al. (2020). Evidence-based practices for children, youth, and young adults with autism. FPG Child Development Institute, University of North Carolina, NCAEP. https://ncaep.fpg.unc.edu/wp-content/uploads/EBP-Report-2020.pdf
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a avaliação e o acompanhamento de profissionais de saúde e de educação.
